Homicidômetro 2018



Justiça condena ex-presidente de Israel por estupro


Por Rami Amichai

TEL-AVIV (Reuters) - Um tribunal israelense considerou o ex-presidente Mosche Katsav culpado de estupro e outros delitos sexuais, em julgamento realizado nesta quinta-feira. A gravidade da condenação não tem precedentes na história do Estado judaico.
"O depoimento de Katsav estava repleto de mentiras", disse o painel de três juízes em seu parecer. "Quando uma mulher diz não, ela quer dizer não."
Katsav, presidente de 2000 a 2007, negou a acusação de ter estuprado por duas vezes uma ex-auxiliar e de molestar ou assediar sexualmente duas outras. Ele também tinha sido indiciado por falso testemunho e obstrução da justiça.
Katsav, de 65 anos, não fez declarações à imprensa ao deixar a Corte Distrital de Tel-Aviv, com o semblante soturno e ladeado por advogados e guarda-costas. Ele ainda pode apelar à Suprema Corte para contestar o veredicto, unânime, e uma provável longa pena de prisão.
Embora o escândalo tenha forçado a retirada prematura de Katsav da vida pública, em desgraça, não teve impacto nas funções do governo israelense, já que a presidência é um cargo amplamente cerimonial.
Nascido no Irã e tendo emergido de uma situação de miséria, Katsav chegou a ser um exemplo vistoso da ascensão de imigrantes judeus em situação desvantajosa, provenientes do Oriente Médio e norte da África. As acusações contra ele provocaram fortes emoções em Israel, onde se espera que um chefe de Estado seja um símbolo de moralidade e unidade nacional.
Katsav assumiu a posição de vítima de extorsão e de uma caça às bruxas com motivações étnicas, e prometeu limpar seu nome.
O veredicto foi qualificado de "terremoto" por um jornal israelense e bem-recebido por grupos defensores das mulheres que há muito tempo se queixam da atitude indulgente das autoridades em relação ao assédio sexual nos locais de trabalho.
A corte não informou de imediato a data em que será divulgada a sentença de Katsav. Condenados por estupro podem pegar a pena máxima de 16 anos de prisão, disse à Reuters o analista da Rádio Israel Moshe Negbi. Quaisquer outras sentenças relativas a delitos menores serão cumpridas em conjunto, segundo Negbi.
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